primeira pessoa
talvez por causa daquele telefonema de madrugada, talvez pela chuva fina que insistia em me encharcar até os ossos. não, não era a chuva que me encharcava, era o tom da tua voz. e mesmo que tentasses relembrar um entre tantos passados, nem assim, mesmo com as copiosas lágrimas, com o pseudo-arrependimento, com o desalento que eu era capaz de enxergar em teus olhos mesmo do outro lado da linha, nem assim, e quando desligaste o telefone, quando interrompeste a ligação e rompeste minh'alma, nem então eu te perdoaria. nem pelo cigarro que eu não encontrava nos quiosques fechados, tampouco pelo frio que eu insistia em tentar sentir, não me absolveria de ter imergido no desastre pressentido. e o que nos resta então? a madeira gasta já molhada, a noite sem estrelas, um telefone público pichado, a janela estilhaçada como meu peito, um par de ombros curvados ante o fardo que custo suportar?! se já não há mais nada de ti aqui (mentira), se então já arrancaste de mim o último quinhão de esperança, por que persistes em um perdão? deixa-me adormecer mudo e quedo, que dor essa há de ser passageira, pois que o olvido encarrega-se de olvidar toda a mágoa.


2 anotações no rodapé...
putz, trocadilhos infames!
clap clap clap idem...
vem cá... eu sei que isso é bem nerd mas.... lá vai: tem MSN?
rs
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